segunda-feira

Caracóis e caracoletas, deliciosos.

Para alguns, não passam de lesmas com casca. Outros comparam o sabor ao das ostras, de quem, afinal, são parentes próximos. Dificilmente se encontra um artigo de culinária sobre o qual as posições se extremem tanto: os caracóis amam-se ou odeiam-se. Em Portugal, comem-se essencialmente cozidos, como petisco, mas estão gradualmente a aparecer noutros pratos, à medida que se sucedem as experiências - nem sempre muito felizes, acrescente-se.



O caracol pequeno servido em restaurantes e tascas, feiras e esplanadas, arraiais e cervejarias vem, essencialmente, de Marrocos. É apanhado à mão por pastores e entregue aos responsáveis de cada aldeia, que servem de agentes do negócio, controlado pela família real. Portugueses, espanhóis, franceses, italianos, gregos. Todos querem uma fatia deste produto de exportação - o consumo em Portugal ultrapassa as 40 mil toneladas anuais. A partir de Julho, em Portugal, começa a haver também caracol nacional, que resiste melhor ao passar do Verão devido às temperaturas mais amenas, por comparação com o Norte de África.



A bióloga Rolanda Albuquerque de Matos, considerada a maior especialista nacional em caracóis, nunca comeu estes moluscos e dificilmente se vê a fazê-lo. A explicação é simples: "Durante mais de duas décadas cultivei e observei quase diariamente milhares de caracóis, o que os tornou, para mim, animais de estimação. E um animal de estimação não se come!" 

Do seu trabalho resultou, nomeadamente, a mais completa listagem das espécies de caracóis que ocorrem em Portugal. "Do total das 152 espécies referidas, 106 são terrestres e 46 de águas doces e salobras. Dessas, 15 não devem ser consideradas como pertencentes à nossa malacofauna, de modo que, à data da publicação, o número de espécies conhecidas de caracóis portugueses era de 137: 94 terrestres e 43 aquáticos", enuncia, em respostas enviadas por email. É impossível encontrar este grau de rigor matemático quando se olha à dimensão planetária. Rolanda Albuquerque explica que "há uma estimativa de 35 mil espécies vivas de gastrópodes", mas serão sempre números aproximados. Certezas há quanto ao facto de estes animais se darem melhor em climas tropicais e de serem "um elo importante na cadeia alimentar", por fazerem a ponte entre o mundo vivo e o inanimado.


Mas esta enorme variedade de espécies de caracol não tem um canal directo para o prato. Na verdade, explica a bióloga, só há em Portugal quatro espécies comestíveis: "Por ordem decrescente de tamanho: a caracoleta (nome científico mais conhecido, Helix aspersa), o maior caracol terrestre português; a caracoleta moura também conhecida como boca-negra na Madeira (Otala lactea); o amarelinho, riscadinho, ou caracol-das-canas, o caracol português mais bonito pela grande variedade de cores que a concha pode apresentar (Cepaea nemoralis); e o caracol a que chamo caracol-das-cervejarias e os apreciadores caracol pequeno (Theba pisana). Um caracol (Helicella virgata) do mesmo tamanho e muito parecido com este último e que pode encontrar-se nos mesmos locais não tem valor gastronómico, pois dizem que é muito amargoso, referido por alguns como caracol-do-diabo."






Caracóis guisados

A pressão colocada sobre as populações nacionais devido à apanha desenfreada destes animais na época alta (e que antecede a época de desova, no Outono) ameaça a sua sobrevivência. Por outro lado, a importação de espécies do Norte de África coloca igualmente problemas aos caracóis portugueses. Rolanda de Matos: "Toda a espécie no seu local habitual está sujeita a condicionamentos do ambiente, entre eles a existência de predadores, com os quais mantém um equilíbrio." Mas os caracóis importados que se escapam para a Natureza não têm estas condicionantes e, multiplicando-se sem restrições, podem levar a espécie indígena ao desaparecimento.



Com uma vantagem enorme no horizonte: o caracol está cada vez mais na moda. Os gastrónomos salientam o seu valor alimentar (tem as mesmas calorias do peixe e só metade da gordura, mas sete vezes os sais minerais) e as redes de distribuição começam a colocar no mercado produtos congelados prontos a cozinhar.

Mas a maior revolução veio da indústria cosmética, que descobriu os benefícios da baba deste molusco, dotado, ao que dizem, de impressionantes qualidades de regeneração da pele. Responsáveis da Cherry Blue, uma das empresas que comercializam este produto, não julgaram conveniente prestar quaisquer esclarecimentos sobre a dimensão do negócio, mas a consulta ao site de uma parafarmácia especializada em emagrecimento, desporto e saúde devolve pelo menos 11 produtos à base de baba de caracol, desde cremes de rosto a champôs para o cabelo. E isto pode ser apenas o início.

A baba de caracol é obtida stressando os animais - com calor, nomeadamente. Colocados em cubas giratórias, os caracóis segregam baba até praticamente à exaustão e aquela escorre para reservatórios onde é depois purificada, num processo que pode ser comparado à pasteurização do leite. É muito cara - pode atingir preços de mercado entre os 250 e os 450 euros por litro -, mas trata-se da fonte mais pura de proteína que se detectou até hoje na Natureza: "É proteína pura; a soja tratada só chega aos 42 por cento", enuncia Luís Lucas.

Para este inspector de aeronáutica civil que deixou o emprego após o 11 de Setembro de 2001 para se dedicar ao seu sonho de ser helicicultor, os caracóis são bem mais do que uma mera forma de fazer negócio. São uma paixão. Confessa que gostava de ver estudada a influência do caracol quando introduzido na dieta de pessoas na terceira idade e não tem dúvidas sobre o que o futuro nos trará: "Penso que a seguir à cosmética virá a indústria farmacêutica.

domingo

A paixão de criar caracóis




Há quem não entenda a paixão. Outros desconhecem o sabor. Alguns não podem ouvir o nome sem sentir náusea. O facto é que caracóis rimam com Verão, e as estimativas apontam para o consumo de 42 mil toneladas por ano em Portugal.





viveiro de caracóis
Criação de caracóis


Uma caracoleta bebé tem o tamanho da ponta de um alfinete e pesa 0,032 gramas. No primeiro mês, tem predilecção pela couve-nabo, mas logo passa a devorar "farinha" - uma ração que mistura proteína, gordura, cinzas, cálcio e fósforo, além de vitaminas, como a E e a D3. As caracoletas de criação dividem o metro quadrado com outras 300, em canteiros de 44 metros onde coabitam 60 mil. No Verão levam quatro meses a crescer, a chegar ao ponto da reprodução ou da panela. No Inverno, o ciclo dura seis meses. Mesmo em viveiro, muitas são as ameaças à vida de uma caracoleta: o pulgão das couves, os pirilampos, os grilos, as moscas, os ácaros, os pássaros gaios ou as ratazanas. Há que combatê-los a cada 15 dias com a aplicação de agrotóxicos. Notívaga, a espécie Hélix aspersa máxima adora água e ganha seis regas por dia. No mundo das caracoletas, a temperatura média é de 25 graus e a humidade ideal, de 70%.


"As caracoletas podem ser retiradas quando o rebordo está formado. Ou seja, está rijo, com cor e textura diferenciada do restante da casca. São colhidas uma a uma e passam quatro dias na purga, em que não são alimentadas e libertam líquidos de modo a garantir a sua higiene e qualidade. Então, elas reduzem os batimentos cardíacos e entram em estivação no Verão e hibernação no Inverno. Podem estar um mês nesta condição, e nessa altura pesam em média 24 gramas", explica Ana Ferreira, proprietária da Active Garden.


Os amigos riram-se quando Daniel Oliveira, então a cursar Engenharia Alimentar, confessou o sonho de criar caracóis. Ignorou-os, e nos últimos anos da faculdade dedicou--se a pesquisar sobre estes animais. Concluiu o curso com uma monografia sobre o tema e conquistou a mulher para o negócio. No princípio de 2009, instalaram a Active Garden em Merceana (perto de Torres Vedras). "A proximidade do mar, o vento e o solo arenoso da região são bons para a criação do caracol. A espécie que criamos é conhecida como 'caracoleta'. Em Portugal não há criação dos 'caracolinhos', os pequeninos e mais consumidos, estes são selvagens e vêm de Marrocos. A perda no cultivo é de cerca de 30%. Além do espaço necessário para se criar o caracolinho, é um investimento que não faz sentido", aponta Daniel.


A maior parte da produção nacional de caracoletas é exportada para a França e a Espanha, onde é aproveitada também pela indústria alimentar, vendida já cozida ou em preparados como o paté. "A caracoleta é um alimento e estamos preocupados com a sua qualidade, fazemos análise externa laboratorial de cada lote a ser comercializado, para além de análises regulares da água e do solo. Planeamos produzir os bebés e introduzir produtos como o caviar de caracol, muito apreciado na França", planeia Daniel Oliveira.


Entre a colocação dos bebés no canteiro e a sua colheita, as tarefas num campo de caracoletas exige atenção diária. A vida dos criadores passa-se entre a rega, a distribuição da farinha, o plantio da couve, a conservação da estufa... Ana diz sofrer quando encontra um bicho morto, e garante não sossegar até descobrir o motivo. Confessa saboreá-los em qualquer altura do ano. "Preparo caracoleta de cebolada. Depois de lavadas e cozidas, retira-se da casca e refoga-se com cebola, chouriço e cogumelos, a acompanhar por batatas fritas. Ou então arroz de caracoletas", sugere.


sexta-feira

Segurança alimentar na produção de caracóis


Controlo da alimentação de base
vegetal



Essencialmente dois motivos levam
a que alguém decida dedicar-se à helicicultura.


O primeiro prende-se com o
interesse em proteger uma determinada espécie e desta forma melhorar aquilo que
a natureza nos oferece.


O segundo motivo é de ordem
económica, o que faz com que muitos tenham a ideia de que a helicicultura é um
negócio muito rentável. Contudo, pode não ser, pois é uma arte de difícil
execução. O caracol tem como base um ecossistema frágil e actualmente enfrenta
alguns perigos, como a poluição ambiental, o excesso de procura e as formas de
agricultura agressiva. A criação de caracóis comestíveis em cativeiro (Helix
Aspersa Maxima e Helix Aspersa Muller) está a evoluir lentamente em Portugal e
promete ser um nicho de mercado promissor. Praticada há quase meio século em
alguns países europeus, nomeadamente em França e na Itália, está só agora a dar
os primeiros passos na Península Ibérica. 







Nos últimos anos, o aumento da
procura deste molusco para consumo humano fez com que os métodos de produção
passassem a ser semi-industriais. De uma forma geral, podemos considerar três
métodos distintos de produção de caracóis. 




  • Um sistema intensivo de exploração,
    no qual os animais são criados em bancadas sobrepostas. Estes locais
    encontram-se completamente fechados e as condições de temperatura, humidade e
    luz solar são monitorizadas de forma permanente, no sentido de possibilitar um
    maior número de posturas por ano e assim maximizar os rendimentos.
     

  • Um segundo método baseia-se na
    criação dos animais o mais aproximadamente possível do seu ambiente natural –
    em canteiros a céu aberto, com sementeiras específicas, a fim de proporcionar o
    alimento e o abrigo necessários. Este processo de criação apresenta uma taxa de
    mortalidade muito elevada, pelo que se torna menos rentável economicamente que
    o anterior. 

  • Por último, e talvez o mais inovador dos métodos de criação de
    caracóis para consumo humano, é aquele que de alguma forma conjuga os dois
    métodos anteriormente mencionados. Separa as três fases cruciais da vida de um
    caracol – postura, eclosão dos ovos e engorda. Deste modo, é possível abordar
    cada uma das etapas tendo em conta a sua especificidade, melhorando assim a
    prestação final: maior número de nascimentos e menor número de mortes.







 Exigências da criação de caracóis





São de salientar alguns pontos
que diariamente devem ser tidos em conta aquando do processo de criação de
caracóis:





  • Sanidade: Esta é de extrema importância neste tipo
    de exploração animal. Humidade e temperatura amena são ambientes ideais
    para a propagação de doenças. Assim, existe a necessidade de manter as
    instalações sempre limpas, sem excrementos, restos de alimentos e de
    animais mortos para, deste modo, evitar ao máximo o aparecimento de
    doenças. As doenças dos caracóis encontram-se pouco estudadas e, como tal,
    nem sempre é fácil prever e prevenir patologias. É pois impreterível a máxima
    higiene das instalações e dos equipamentos. Bactérias, ácaros e nemátodos
    são as principais origens das doenças e parasitoses que afectam
    mortalmente o caracol. As bactérias existem naturalmente no tubo digestivo
    dos caracóis e causam problemas quando existe uma acumulação de excrementos
    ou quando a alimentação escasseia. Os ácaros são também perigosos,
    provocando reduções muito significativas no rendimento das culturas quando
    se encontram em grandes quantidades nas explorações. Por último, os
    nemátodos – parasitas que invadem os intestinos e outros órgãos do caracol
    – provocam, por exemplo, danos no sistema reprodutor deste.







  • Condições ambientais: Temperatura, humidade e iluminação.
    A temperatura ideal para o desenvolvimento do caracol ronda os 20ºC. Abaixo
    dos 10ºC o animal reduz significativamente o seu metabolismo interno,
    podendo entrar em estado de hibernação. Acima dos 30ºC, os caracóis entram
    em estivação, especialmente se a humidade relativa for baixa. Humidade
    relativa é outro factor importante para o caracol. Estes preferem valores
    de humidade relativa entre os 70% e os 90%. No que toca à iluminação, o
    caracol não gosta que a luz solar incida directamente nele, pois seca-lhe
    a pele. Desta forma, caracteriza-se por ser um animal que gosta de sombra,
    mas necessita de 12 a18 horas de luz solar por dia.






  • Maneio diário: Nos cuidados diários há que ter
    atenção às condições de temperatura, humidade e inspecção dos locais onde
    permanecem animais, com o objectivo de verificar o seu comportamento e detectar
    e capturar os animais mortos. Os termómetros devem ser de fácil leitura e
    de preferência com indicadores de temperaturas máximas e mínimas. De igual
    modo, os higrómetros devem estar localizados estrategicamente por toda a
    área. Sempre que necessário, as instalações e equipamentos devem ser
    lavados, de modo a serem removidos os restos de ração e dejectos dos
    animais.






Implementação de sistemas de
HACCP



No que toca à aplicabilidade da
metodologia HACCP como forma de analisar metodicamente todo o processo e de
determinar de modo exacto todos os potenciais perigos existentes, conclui-se
que:





  • São altamente recomendáveis todas as boas práticas descritas
    anteriormente, actuando estas como medidas de controlo no decorrer dos
    diversos processos;






  • Os terrenos devem ser alvo de um período de
    descanso e de uma limpeza. A estabilização dos mesmos deve ser efectuada,
    por exemplo, através da aplicação de cal viva. Desta forma, são possíveis
    terrenos mais férteis e saudáveis para posteriores engordas;






  • É de extrema importância a elaboração de cadernos
    de encargos, onde são registadas todas as operações diárias realizadas. Só
    assim é possível executar um tratamento estatístico dos dados e perceber,
    por exemplo, o efeito das variações climatéricas na biologia do animal. E
    desta forma melhorar os processos internos;






  • Tendo em conta que em explorações intensivas o alimento
    disposto naturalmente ao caracol é insuficiente, existe a necessidade de
    complemento alimentar através de ração composta. Neste caso, pode ser
    usado o milho e a soja, não descurando a importância do fornecimento de
    cálcio;






  • Considerando a vulnerabilidade biológica do caracol
    quando afectado por algum tipo de contaminação biológica, este sucumbe
    quase de imediato. Daí que não tenha sido identificado nenhum tipo de patogénico
    alimentar humano em níveis considerados inaceitáveis;






  • Em relação às contaminações químicas, aí sim consideraram-se
    relevantes e com significância elevada. No fundo, estamos a trabalhar num
    terreno agrícola, onde não conhecemos completamente o passado das terras e,
    sobretudo, as alterações/contaminações a que estão sujeitos os lençóis de
    água de abastecimento(por norma o abastecimento de água é realizado através
    de captações próprias). É importante a monitorização dos valores
    analíticos deste elemento.






Não descurando a legislação que
enquadra o caracol como elemento sujeito a controlo analítico no que respeita à
microbiologia(gastrópode vivo), considera-se da maior relevância, do ponto de
vista da segurança alimentar, ter igualmente em conta a presença de elementos
químicos neste molusco. Como forma de avaliar aquilo que se designa por ponto
crítico de controlo (PCC), aconselha-se a realização de uma análise
laboratorial a uma panóplia de substâncias químicas – pesticidas (p.ex.


piretróides), imediatamente antes
de iniciar a apanha do animal para venda. Conseguiremos, assim, ter uma
garantia fiável de que aquilo que se irá comercializar é seguro para o
consumidor.

quinta-feira

Ração e alimentação para caracóis




A alimentação do caracol é simples e variada.


Os caracóis possuem 4 antenas, duas com função visual e as outras duas com função sensitiva. 



Os caracóis alimentam-se usando a rádula, uma língua áspera que raspa os alimentos como uma raspadeira. A sua alimentação é variada desde plantas a frutos, fungos e inclusivamente  carne no caso das espécies carnívoras ou omnívoras. 


Possuem também vários predadores, como as aves, ouriços-cacheiros, entre outros.


Alguns caracóis conseguem hibernar ou estivar, sendo que se o fizerem perdem cerca de 60 % do peso. 



Podem ser mantidos em cativeiro num tanque ou aquário sendo para isso necessário um pouco de terra, osso de choco para lhes fornecer o cálcio, e vegetais para a sua alimentação. Devem ser mantidos quentes e húmidos sendo a espécie Lissachatina fulica a mais habitualmente mantida em cativeiro.


As farinhas de milho e trigo, bem como a soja, podem fazer parte da sua alimentação, se bem que eles comem quase um pouco de tudo quando em liberdade. Cogumelos, frutos, folhas, flores, cascas, algas, calcário, gesso húmido, e até papel e papelão.



Os mais velhos comem também alimentos deteriorados, nomeadamente folhas, frutos e cascas em deterioração, etc..


No caso das criações de caracóis a sua alimentação básica é a ração própria que pode ser encontrada em lojas de rações para animais.





quarta-feira

Caracol - um hino à saciedade





O caracol nunca será um petisco consensual e os seus verdadeiros apreciadores por certo agradecem - até porque o consumo desta iguaria está limitado a poucos meses no ano.




O ritual de consumo do caracol pode ser visto como um hino à saciedade. Se a sua composição nutricional revela um baixo valor calórico à custa de muita água e alguma proteína, o esforço que inevitavelmente temos de despender para o comer obriga-nos a fazê-lo de forma calma e pausada, o que o torna num frenador do apetite ideal naqueles finais de tarde em que a praia nos deixa insaciáveis!  




Caracóis, deliciosos e nutritivos


O facto de ter quase 80% de água não significa que o caracol seja um vazio nutricional. À semelhança de outros petiscos de esplanada, este gastrópode possui quantidades significativas de ferro, selénio e cobre, surpreendendo também pela sua riqueza em magnésio, fósforo e particularmente vitamina E - até porque o “exclusivo” desta vitamina é detido quase na totalidade pelos óleos alimentares e frutos gordos. Mesmo sendo pobre em gordura (menos de 2%), o caracol consegue ajudar à satisfação das necessidades de EPA e DHA, os dois ácidos gordos ómega 3 mais associados à prevenção de doença cardiovascular, algo que equilibra o seu razoável teor em colesterol. Ainda assim, o colesterol não encontra no caracol quantidade suficiente dos seus “parceiros” ácidos gordos saturados para nos fazer temer o aumento destes valores no nosso organismo. Esta sua versatilidade nutricional já levou organizações de saúde de países em desenvolvimento (a Nigéria foi a primeira a dar o exemplo) a promoverem o seu consumo com vista a suprir algumas carências nutricionais existentes na população.


Se é ponto assente que o caracol é nutricional e sensorialmente fantástico, também é verdade que ele não é consumido sozinho. Se quanto à cerveja estamos conversados relativamente à palavra de ordem que deverá nortear o seu consumo – moderação! – falta abordar o molho. Em boa verdade, quase tudo o que leva azeite, alho e orégãos já não precisa de grandes acréscimos para nos fazer felizes, mas o molho dos caracóis deixa-nos pelo menos de consciência tranquila quando fazemos o ritual da praxe e mergulhamos no prato o nosso pão alentejano. Com estes dois acompanhantes, o ritual dos caracóis torna-se um pouco mais calórico mas mantém-se cheio de saúde, sobretudo se limitar substancialmente o nosso jantar!


Autoria de Pedro Carvalho, FCNA da UPorto


domingo

CARACOLETA BOURGUIGNON





Este aperitivo fácil de caracoletas  recheadas com cogumelos vai fazer com que pareça que você foi escravo da cozinha durante horas. Ao usar caracóis em conserva, o seu tempo de preparação diminui drasticamente e permite-lhe desfrutar mais tempo com os seus convidados. Esta receita é uma tradição na região de Borgonha, em França.



Tempo de preparação: 10 minutos



Tempo de cozedura: 15 minutos



Tempo total: 25 minutos



Ingredientes:



  • 6 colheres de sopa de manteiga 

  • 2 colheres de chá de cebolinha picada finamente

  • 1 dente de alho esmagado e picado

  • 1 colher de sopa de aipo bem picado

  • 1 colher de sopa de salsa fresca picada fina

  • ¼ colher de chá de sal

  • 1/8 colher de chá de pimenta preta moída

  • 12 cogumelos grandes, limpos com os removidos

  • 12 caracoletas em conserva



Preparação:




Pré-aqueça o forno a 190º. Misture as 6 colheres de sopa de manteiga amolecida com a cebolinha, alho, aipo, salsa, sal e pimenta. Coloque uma colher pequena de manteiga de ervas e um caracol em cada concha do cogumelo, e depois unte o exterior do cogumelo com um pouco de manteiga de ervas. Disponha os cogumelos em um prato raso de cozimento e asse por 15 minutos. Sirva quente.


Rende 6 doses.







sábado

A baba de caracol e seus benefícios para a saúde




A baba de caracol é uma das mais inovadoras fontes naturais de regeneração cutânea. Possui substâncias regeneradoras, anti-envelhecimento, nutritivas, exfoliantes, anti-inflamatórias e despigmentantes.





O uso do caracol e do extracto purificado da sua baba tem uma longa tradição na medicina popular, que remonta a tempos remotos.


Hoje em dia, fruto de uma série de investigações efectuadas sobre os seus "princípios activos", está a ser promovida com uma grande aceitação na indústria cosmética.


O extracto purificado de baba de caracol para uso cosmético, tem de obedecer a vários requisitos de qualidade que passam pelo método de extracção e purificação, segurança e tolerância.

Os cosméticos à base de baba de caracol devem ser elaborados com a secreção que o caracol expele ao receber estímulos externos - como radiações ou stress mecânico - e é obtido após os caracóis terem sido submetidos a um jejum prolongado. Este muco não é a baba que o caracol desprende para se deslocar, pois esta é desprovida de actividade biológica.


Por esta razão, os especialistas afirmam que nem todos os cremes de baba de caracol são iguais.


Os caracóis são assim estimulados para se obter a baba, e finalmente, esta é submetida a processos para estandardizar os seus conteúdos físico-químicos e microbiológicos.


A secreção purificada do caracol Helix Aspersa assim obtida é extremamente rica em proteínas e polissacarídeos, responsáveis pela sua actividade regeneradora.


A baba de caracol é um produto natural com um potente poder regenerador cutâneo porque contém na sua composição:

- proteínas, com uma estrutura semelhante às da derme humana

- vitaminas (as que estão presentes em maior quantidade são A, C, E e algumas do grupo B)

- alantoína, que actua como um elemento regenerador notável

- alfa-hidroxiácidos (glicólico, cítrico, málico e láctico) que produzem um efeito peeling na pele

- minerais e oligoelementos, especialmente sais de cálcio, que actuam como um factor essencial no endurecimento da concha

- mucopolissacarídeos, com propriedades marcadamente hidratantes, que conferem à baba a sua consistência típica lubrificante e escorregadia

- antiproteases que controlam a acção das proteases cutâneas, enzimas que causam a degradação bioquímica do colagénio e da elastina, limitando a sua actividade à estritamente necessária
Aplicações cosméticas da baba de caracol

As propriedades mais singulares e interessantes do extracto purificado de baba de caracol são:

- regenera a pele após irritações ou feridas ligeiras, como as causadas pela depilação ou pelo barbear

- reduz rugas e ajuda a prevenir os processos de envelhecimento cutâneo, ao proteger a pele da acção oxidante dos radicais livres

- suaviza a epiderme graças ao seu efeito peeling

- esbate imperfeições da pele (como marcas, cicatrizes e manchas)

- factor de crescimento celular e lenitivo

A dosagem recomendada situa-se entre 0,5% e 5%.

Nestas concentrações recomendadas para utilização em produtos cosméticos, não é irritante nem sensibilizante.

Para uma adequada conservação dos produtos à base de baba de caracol, estes devem manter-se no recipiente original, bem fechado, ao abrigo da luz directa.

As propriedades regeneradoras da baba de caracol foram descobertas há vários anos atrás quando se reparou que as mãos dos cultivadores de caracóis eram extremamente suaves e macias, e as suas feridas (lenhos e cortes) cicatrizavam rapidamente, não deixando marcas.


A metodologia de obtenção da baba se aperfeiçoou até chegar à situação actual, com um sistema do qual se obtém uma secreção purificada que permite preservar a vida do caracol e que foi patenteada e comercializada por esta empresa farmacêutica.


Segundo um estudo realizado em 2004 com pessoas tratadas com baba de caracol, a redução progressiva e gradual da percentagem de pacientes com rugas finas é de 26,7% e de 45,5% para as rugas grossas. Também foi identificada uma significativa redução do aspecto envelhecido por causa do sol e da secura e aspereza da pele. Além disso, houve uma melhora nos parâmetros de alisamento, firmeza, flexibilidade e hidratação.