quarta-feira

Criação de caracóis - O resumo supremo !


Você já deu mil e uma voltas à cabeça pensando num part-time fácil e acessível que não exija muito trabalho para ganhar alguns cobres extra?






Não, eu não estou louco...  Continue a ler e descubra.





No mundo, há uma grande procura de caracóis para consumo humano (consulte as estatísticas), mas apenas dois tipos de caracóis (dos 100 existentes) são ideais para ser comidos.


Pense bem, esses moluscos viscosos que rastejam pelo jardim ou pátio da sua casa e que podem até tornar-se numa praga, podem ser o negócio da sua vida!





No início do século XX, devido à procura de caracóis e seu valor económico foi aumentando.


Alguns pioneiros fizeram as primeiras tentativas de criação digna desse nome, ou seja, controlando todas as etapas do caracol, incluindo a produção de descendência.


Actualmente, pode-se falar da criação caracóis terrestres como uma actividade zootécnica reconhecida internacionalmente, apesar da variedade de sistemas de produção existentes:





Sistema misto: mais produtivo e fiável é proclamado como o único método de criação economicamente rentável. Um ciclo de produção entre Janeiro e Outubro, que por simulação de condições atmosféricas com infraestruturas adequadas permite obter uma reprodução no inverno para completar engorda durante a primavera, verão e início do outono.





Sistema intensivo: em teoria seria o mais produtivo, mas até agora apresenta muitas dificuldades na fase de engorda. O seu esquema de trabalho, optimizado e técnico, permitiria produzir criação todos os meses do ano ao contrário de outros sistemas que conseguem uma única produção anual.









Sistema completo do ciclo de vida: o mais natural, praticado em clima aberto sem alterar o ciclo de vida natural. É muito pouco produtivo e demorado alongando-se para cerca dos 18 meses.











Vamos falar de negócios






Qual é a quantidade mínima de dinheiro necessária para começar a produção?





O mínimo capital necessário para iniciar a criação de caracóis está directamente relacionado com o dinheiro que você precisa para construir o viveiro e gerar o seu retorno.


Você tem que se lembrar que a criação de caracóis, como qualquer outra produção agrícola, exige o cumprimento de ciclos biológicos do animal em questão. Estes ciclos exigirão mais ou menos tempo, dependendo das condições ambientais, naturais ou artificiais, onde os caracóis são criados. Obviamente, não é o mesmo criar os caracóis de acordo com as condições ambientais e disponibilidade de alimentos existentes no campo do que fazê-lo em estufas controladas, onde as condições de conforto, de temperatura, humidade, quantidade de luz e alimentos são equilibrado e direccionados exclusivamente para potenciar a criação.


Um produtor faz sua primeira "colheita" de caracóis entre oito meses e um ano após o início da exploração. Daí que o critério de quanto você precisa investir para começar depende do tempo que pode esperar para recuperar o investimento inicial. Por isso, é impossível dizer o mínimo.





Existem diferentes sistemas de cultura de caracóis, estes variam desde a criação extensiva para o campo (ciclo completo) até aos viveiros que condicionam todas as fases de vida do molusco, durante todos os estágios intermediários. Os custos são tão variáveis ​​quanto os sistemas de criação.








De quanto espaço preciso para criar caracóis?







Mais uma vez, cada tipo de criação, dependendo de sua complexidade, apresenta diferentes rendimentos. Isto está directamente relacionado com a quantidade de espaço usado para uma determinada quantidade de moluscos num determinado momento. Quando se fala em sistema intensivo os rendimentos são mais elevados e exige menor superfície, mas essa área acaba por sair muito mais cara porque você tem que controlar a temperatura, humidade e quantidade de luz/hora desse ambiente. 




Ao contrário do sistema de ciclo de vida completo, também chamado de sistema italiano, onde a superfície do solo é muito grande, mas apenas exige um campo semeado.








Resumindo, você pode precisar de um campo de 300 hectares ou apenas do seu próprio quintal. Tudo depende das suas ambições.










E que tipo de instalações são necessárias para a produção de caracóis?
















Você pode usar qualquer tipo de espaço físico como estufas, celeiros, barracões, estábulos, etc. 


Mas lembre-se que, como o caracol requer luz, todas as estruturas não transparentes exigem maior consumo de energia.



















Que tipo de alimentação se deve dar aos caracóis?




Ração para caracóis






Os caracóis podem comer plantas ou ração específica. Estas últimas implicam maiores custos, como é evidente, mas sendo mais equilibradas poderão proporcionar melhores resultados.
















Quais são as temperaturas ideais para a criação de caracóis ?







A temperatura óptima de conforto para o caracol durante o ciclo activo é entre 15 e 22 º C. 




E em períodos de hibernação é necessário ter cerca de 7 ° C. 



Obviamente o produtor deve procurar que os caracóis se mantenham frequentemente num ambiente com a temperatura à vida activa. Você deve estar ciente que os caracóis crescem e se reproduzem apenas durante esse período.







Onde posso obter os caracóis para iniciar a sua criação ?





Porque essa produção no nosso país ainda não está muito desenvolvido pode optar pela compra de alevins ou tentar a colecta selvagem.





A quem posso vender os caracóis que crio?





Basicamente, existem duas formas de venda da produção de caracóis: Ou vende directamente a bares, restaurantes, supermercados e particulares, ou então vende a sua produção a um intermediário , ou seja, a quem compra com o propósito de reunir um volume suficiente (de toneladas) para exportar para outros mercados.





É rentável produzir e vender caracóis ?





Tudo depende da forma como os produtores gerem a sua própria exploração . De acordo com estudos de custos económicos realizados a criação de caracóis bem gerida é uma das mais rentáveis ​​actividades agrícolas que existem hoje. Quando se trata de contabilizar lucros devemos ter em mente que para ganhar dinheiro em primeiro lugar temos que ter recuperado o investimento inicial e as receitas provenientes da venda de caracóis demoram pelo menos um ciclo de vida deste animal, ou seja, entre 8 a 12 meses desde o início da operação .





E o que fazer ao cócó de caracol ?












As fezes do caracol, em espiral e secas, não têm qualquer mau cheiro e são completamente naturais.


São ideais como adubo para hortaliças (alface, couve, etc.) e algumas frutas (amêndoas, framboesas, etc.)


























Espécies de caracóis





De todas as espécies de caracóis a mais fácil de criar em cativeiro é a Helix aspersa (caracol de jardim), que está possui óptimas qualidades tais como casca dura, o tamanho médio de 3 a 4 centímetros de diâmetro e pesando aproximadamente 6 a 10 gramas.


A dieta do Helix aspersa em sistema intensivo baseia-se basicamente em ração concentradas com excepção dos primeiros três meses de vida em que devem alimentar-se de vegetais.







Períodos de alta produção





De Setembro a Março são os meses em que há mais abundância de caracol, pelo que é a melhor fase de produção, mas de Abril a Agosto é a nossa época de maior consumo, diminuindo assim os valores exportação.









Se você tem alguma experiência nesta área, temos certeza que um monte de pessoas que lêem este blog gostariam de aprender consigo.
Por outro lado, se o que pretende é obter informações ou ajuda, não hesite em nos contactar e faremos tudo o que esteja ao nosso alcance para o ajudar.


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Benefícios do consumo de caracóis








O consumo de caracóis remonta ao Paleolítico. Existem inúmeros registos de conchas encontradas em grutas pré-históricas da orla mediterrânica, em particular na península ibérica.




Caracol Helix Aspersa Maxima


Existem muitas espécies de caracóis, por exemplo o Helix Aspersa Maxima tem um aspecto carnudo, de carne clara e muito apreciada na culinária. Facilmente extraído da concha e de sabor requintado, diferencia-se do caracol silvestre pela homogeneidade das suas características de produção: uma alimentação controlada e a rastreabilidade em todo o seu processo produtivo possibilita o indispensável controle sanitário e garante a qualidade do produto.








O consumo de caracóis é recomendado para vários tipos de doenças. 


Os aminoácidos contidos nas proteínas da carne do caracol, contribuem para a reconstituição da integridade dos tecidos gástricos e, portanto, para a cura da úlcera. Por ser um alimento rico em cálcio e ácidos gordos, polinsaturados, é também recomendado nos casos de raquitismo e no combate ao colesterol. O alto teor de sais minerais e ferro, revelam-se úteis durante a gravidez e amamentação. Pobre em lipídos, são indicados para aqueles que sofrem do fígado e obesidade.





O valor calórico por 100g de carne de caracol varia entre as 60 e as 80 Kcal. 


Os caracóis são maioritariamente compostos por água (70-85%), sendo pobres em gordura (0,3-0,8%) e com um teor proteico entre 13 e 15%. São relativamente ricos em minerais, sobretudo em Cálcio, contendo também Ferro, Magnésio, Cobre e Zinco.




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sexta-feira

Rua dos caracóis





Em Lisboa há uma rua que é sinónimo de caracóis. Ali, três restaurantes e uma casa de pasto dedicam-se a confeccionar um dos mais disputados petiscos de Verão. Do final de Abril ao início de Setembro, a chamada época dos caracóis, por ali passam milhares de clientes e toneladas de caracóis. Viagem à rua do Vale Formoso de Cima, a Meca dos caracóis.




Dele se diz que carrega a casa às costas, que é lento, que põe os pauzinhos ao sol. Para os franceses são escargots, para os italianos lumachi, iguarias gourmet servidas apenas em restaurantes de luxo. Em Portugal foram, durante anos, sinónimo de comida para as galinhas ou lesmas que arruinavam hortas e jardins. Mas os tempos mudaram. Hoje, os caracóis são sinónimo de Verão.Quando o calor dá sinais de vida, começa a época do caracol. Chega o final de Abril e começam a aparecer cartazes improvisados onde se lê ‘Há caracóis!’. Petisco apreciado de Norte a Sul do país, é, no entanto, de Lisboa para Sul que mais se consome. E é justamente na capital que se encontra o santuário dos caracóis, o recordista de vendas em todo o país: O Filho do Menino Júlio dos Caracóis, normalmente conhecido como Julinho dos Caracóis.


Este foi o primeiro restaurante a instalar-se no Vale Formoso de Cima, uma rua perdida na zona de Marvila, outrora dominada por fábricas como a JB Fernandes, o Baptista Russo e os CTT. Atrás de si, vieram outros restaurantes de petiscos – sendo o principal o caracol. No total, só nesta rua trabalham mais de 30 pessoas, resultado do negócio dos caracóis. Em comum têm todos os caracóis, mas também o facto de serem todos restaurantes familiares. Ali, pais e filhos trabalham lado a lado.


A aventura da família Rodrigues começou em 1958, quando Júlio tomou conta de uma taberna que vendia comida e carvão. «Lembro-me que, na altura, não havia quase nada nesta rua. Só víamos três carros na rua inteira», recorda o filho, Vasco, actualmente com 51 anos, que nasceu ali, na parte de trás da então taberna. Não sabe dizer como nem porquê o pai começou a cozinhar caracóis, mas lembra-se de ir «a Sintra apanhar caracóis que depois ele cozinhava». À data o petisco podia ser saboreado ali, num restaurante em Odivelas e noutro em Alcântara.






O negócio foi crescendo e, quando tinha 21 anos, aquele que é hoje conhecido como ‘rei dos caracóis’ tomou conta do restaurante. «No primeiro dia chorei o dia todo, com medo que não conseguisse estar à altura do meu pai». Mas estava: no ano passado fez obras e transformou radicalmente o restaurante – de 40 lugares passou para 310. Ainda assim, a casa continua a estar sempre cheia. «O que tinha de poupanças enterrei nestas obras, agora estou a começar do zero. Mas esta é a minha vida, estou aqui eu, a minha mulher e as minhas filhas, sou doido por isto! Tenho muito orgulho e vaidade nisto tudo. Cada vez há mais casas com caracóis, até nas pastelarias se vendem, mas nós mantemos sempre a mesma qualidade e o mesmo sucesso».


O sucesso vê-se sobretudo na rua, onde as pessoas esperam às dezenas por uma mesa. Chegam em famílias ou grupos de amigos. Alguns são caras bem conhecidas e têm as suas fotografias espalhadas pelas paredes, como o apresentador de televisão Fernando Mendes. Há clientes que aprenderam ali a gostar de caracóis, há outros capazes de comer 15 doses seguidas. Chegam de Lisboa, mas também vêm de propósito do Algarve, Leiria, Fátima e até de Paris. «Tenho um cliente português que vive lá e que já se meteu num avião só para vir comer um pratinho». Alguns clientes apenas visitam esta zona da cidade – paredes meias com Chelas – para comer os caracóis do_Julinho. É o caso de Bela, Manuel e a filha Lara, de seis anos. Desta vez trouxeram um amigo, o brasileiro Zé Roberto, de visita a Portugal: «Nunca tinha experimentado caracóis, foi a primeira vez», revela. «Mas ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre esta coisa de comer caracóis», brinca. A verdade é que, se são muitos os que não resistem a este petisco, outros não ultrapassam a repulsa inicial.


Alguns clientes procuram evitar as filas e vêm buscar para levar para casa, num dos baldes que o restaurante vende. «No final da temporada levo uns quantos baldes, congelo e depois vou comendo», conta Gabriela Santos, enquanto espera pelo seu balde com o filho mais jovem, de 22 meses, pela mão. «Ele também já come», conta.


Até os chineses já se renderam aos caracóis do Julinho. «Este ano estamos a ter muitos clientes chineses», conta Vasco Rodrigues. «Tiram fotos, ficam pendurados no balcão a ver como é que eu faço e, no outro dia, tive um grupo que me fez uma proposta de compra do restaurante. Disse que nem pensar!».





A força dos braços


O dia no Julinho começa logo às 10h, até porque o restaurante está aberto para o almoço. Pouco depois dessa hora, Fernanda Rodrigues, mulher de Vasco, começa a lavar caracóis, processo fundamental para assegurar o sabor do petisco. Só vai parar já a noite vai a meio, perto das 22h. «A minha mulher esteve 26 anos a lavar caracóis sem parar». Quando os braços não podiam mais compraram uma máquina que lava 15 quilos de cada vez. Ainda assim, depois de uma primeira limpeza na máquina, Fernanda passa os caracóis por água manualmente, enquanto tira folhas e outras impurezas que tenham resistido.


Durante a época do caracol, todos os dias (com excepção para a folga, à segunda-feira), às 16h, Vasco Rodrigues põe a primeira panela no fogão. São 30 minutos em lume brando, com os aromas a cebola, alho e sal a tomarem conta do espaço. A receita conta ainda com um segredo que data dos tempos do próprio Júlio. «O meu pai sempre me pediu para guardar o segredo e assim faço». A cada nova ‘fornada’ toca o sino para avisar os comensais que o petisco vai a caminho e começa a servir as doses. Até às 22h é difícil ver Vasco Rodrigues fora daquele metro quadrado em frente ao fogão. «Ao fim do dia nem posso com os braços. Às 22h cozo a última panela do dia, sento-me, como quatro ou cinco pratos de caracóis e bebo umas imperiais. À meia-noite é que janto. Faço isto todos os dias». Quando os caracóis terminam, na primeira semana de Setembro, fecha um mês para férias. Até lá passam pelas suas mãos toneladas de caracóis. «Nunca revelo as quantidades, foi outra coisa que o meu pai me ensinou». Ainda assim, segundo o fornecedor de Vasco, só no fim-de-semana passado foram ali entregues 500 quilos do molusco.





Viciado em caracóis


«Quando começámos, em 85/ 86, as pessoas só vinham ao nosso restaurante quando o Júlio estava cheio», assume Zélia Amaral, proprietária, juntamente com os pais, da Varanda do Vale Formoso, mesmo do outro lado da rua. Com o tempo foram ganhando o seu espaço e hoje também já atingiram as centenas de quilos por semana. Para este número muito contribuem clientes como Manuel Francisco Reis, 75 anos, fã deste petisco há mais de 50 anos. Vem mensalmente da Pampilhosa da Serra para visitar os filhos. «E para comer caracóis na Varanda!», assegura. Nunca come menos do que quatro ou cinco doses, mas já chegou a ultrapassar as dez. Quando regressa a casa leva sempre consigo um balde com cerca de dez doses. «É ao tempero que não resisto», confessa. A paixão pelos caracóis é tal que, no final da conversa, quando acede a uma fotografia, só pergunta: «Se for preso por causa desta coisa do jornal, jurem que me levam caracóis à prisão!». Zélia sorri. São clientes como Manuel que mantêm o negócio bem vivo e alheio à crise.





Caracoletas Vs. caracóis


Graça Saraiva, 51 anos, nunca na vida tinha comido caracóis quando se aventurou a cozinhá-los pela primeira vez. «Quando tentei fazer caracóis em casa dos meus pais eles de seguida deitaram fora o tacho tal era a má impressão que tinham deste bicho». Graça nem sabia ao que deveriam saber os caracóis, mas deixou-se guiar pelo instinto de cozinheira. Juntamente com o marido, lá conseguiu encontrar o tempero certo. «Os primeiros clientes foram uma espécie de cobaia», recorda.


Veio com o marido de Pinhel, na Guarda, para Lisboa, no arranque da década de 80. Já na capital, o marido trabalhou na restauração e Graça foi costureira, até se aventurarem num negócio próprio: descobriram um pequeno café no início da rua do Vale Formoso de Cima, transformaram-no na Cervejaria Germano e abriram portas. O sucesso não se fez esperar e hoje é frequente encontrar uma fila de espera que ocupa todo o passeio em frente ao restaurante.






Apesar de o espaço ser consideravelmente mais pequeno do que o Julinho é outro local desta romaria dos caracóis. Seis dias por semana, das 7h30 até ‘expulsar’ os últimos clientes, por vezes já depois da meia-noite, Graça Saraiva conduz o negócio sozinha com a ajuda das filhas, após a morte súbita do marido. A sua simpatia ditou que muitos deixassem de se referir ao restaurante como Germano e o apelidassem de Dona Graça. A Dona Graça das caracoletas. É que aqui, apesar da fama dos caracóis, são as caracoletas assadas as rainhas. Com limão, margarina, vinagre, sal e picante torna-se difícil resistir ao aroma cada vez que Graça Saraiva as retira do lume. Até para a própria: «Caracoletas ainda como muito, caracóis já me fartei».





Contrariar os gigantes


Bem lá ao fundo da rua, um toldo salta da fachada do número 94. Muitos do que nesta rua são habitués nem sequer sabem o que para ali se esconde. Fundada em 1991, a colectividade do concelho de Castro Daire é o David nesta luta de titãs. É a típica casa de pasto de bairro, com troféus e medalhas nas paredes, ponto de encontro para beber um café ou uma mini.


Há oito anos Dolores Monteiro passou a tomar conta da cozinha deste espaço. Já tinha passado dos 60 anos, as cinco filhas estavam criadas, pelo caminho tinha deixado o trabalho numa fábrica de sabão e outro como mulher-a-dias. A sua reforma e a do marido não eram suficientes, por isso aceitou o convite para tomar conta da casa de pasto.


Cozinheira de mão cheia, seguiu o exemplo dos outros restaurantes da rua e aventurou-se nos caracóis. «No primeiro ano saíam-me sempre mal, mas fui melhorando. O próprio Vasco, do Julinho, veio cá dar-me força. A verdade é que não sou concorrência, não posso combater os grandes lá de cima da rua», diz com um sotaque que ainda denuncia as raízes de Castro Daire, empoleirada no pequeno degrau em madeira que lhe permite chegar ao fogão.


Habituada a fazer petiscos como pica-pau ou moelas e a servir paio e queijo de Castro_Daire, quando chega a temporada do caracol começa o dia no quintal a lavar caracóis. Depois junta-lhes sal, alho, malagueta e Knorr e põe a ferver. Só faz uma panela de cinco quilos por dia. «Quando acaba, acaba». Entre os clientes mais habituais estão as forças da polícia que aproveitam uma pausa no serviço para por ali passar. «Já cheguei a ter oito motas da polícia aí paradas à porta», diz, orgulhosa. As caracoletas assadas são outro dos petiscos com saída.


Mesmo no pico da temporada dos caracóis, a casa de Castro_Daire parece um mundo à parte. Lá para cima, onde vivem os Golias desta rua, o rebuliço durará até à primeira semana de Setembro. Depois, acaba a época de caracol e tudo muda. Os restaurantes mantêm a porta aberta, é certo, mas a rua parece hibernar até ao ano seguinte. Em 2014, aos primeiros raios de sol do final de Abril, a romaria recomeçará. E talvez para o ano Vasco Rodrigues já tenha conseguido concretizar o seu mais recente sonho: «O que eu mais queria era que me deixassem construir um caracol gigante na rotunda». Na tal rotunda que até a polícia já rebaptizou informalmente de rotunda do Julinho dos caracóis.




por Raquel Carrilho, fotografia de Raquel Wise

sol.sapo.pt

Ele é o rei dos caracóis





Belmiro Domingos dedica-se de corpo e alma à causa dos caracóis e quer constituir uma Confraria
Belmiro Domingos dedica-se de corpo e alma à causa
 dos caracóis e quer constituir uma Confraria





Há já quem lhe chame o rei dos caracóis e a sua fama vai sendo "degustada" por vários pontos do país.

 Belmiro Domingos dedica-se agora de corpo e alma à causa dos caracóis e quer constituir a Confraria dos ditos.



Belmiro Domingos é natural de Matos, freguesia de Cernache do Bonjardim, e está a promover a "Volta a Portugal em Caracol". Até 27 de Julho promove uma feira no jardim do Clube de Cernache. Depois vai para a Covilhã e para Viseu. Mas, entretanto, já levou este tipo de gastronomia a Aveiro e Coimbra.




A fama de cozinheiro exímio dos pachorrentos moluscos vem desde há cinco anos. Publicitário de longa data, Belmiro Domingos dedica-se agora à causa dos caracóis e pretende constituir a respectiva Confraria, a qual ficará sedeada em Cernache do Bonjardim (Sertã). "Neste momento estamos a preparar os estatutos e no próximo ano iremos anunciar a sua constituição", diz, enquanto adianta que outro dos seus objectivos "passa por abrir uma casa em Lisboa, onde haverá caracóis o ano todo, à semelhança do que acontece em França".




Para quem gosta de uma boa "caracolada" Belmiro Domingos apresenta 12 pratos diferentes, a saber: caracol tradicional, caracoleta grelhada, caracol frito (leva um molho de alho frito e louro que nos obriga a lamber as mãos), caracol à pescador, caracol de caril (preparado à semelhança do frango de caril), caracol à helicicultor, feijoada de caracol, escargot à francesa, caracol à D. Nuno Álvares Pereira, omeleta de caracol, fundue de caracol e para terminar uma sopinha dos ditos.




O segredo, diz,  é "a maneira como se preparam. A limpeza é muito importante e tudo começa aí". Depois, acrescenta, "há que ter muita paixão, alguma inovação e uma boa dose de transpiração, que tudo isto obriga a muito esforço".




No entender de Belmiro Domingos, esse esforço está a ser recompensado. "Este evento que estou a promover no centro do país é o maior a nível nacional. A adesão está a ultrapassar as expectativas. Vem gente de propósito de Lisboa, Porto e de outros pontos de Portugal para provarem as nossas iguarias", reforça com orgulho.


InfoCaracol





  • Os caracóis terrestres possuem dois pares de tentáculos e os olhos situam-se no topo do segundo par. 







  • As conchas variam muito de tamanho sendo que a espécie africana Achatina achatina chega a medir 27 cm.  Em contraposição existem espécies cujas conchas medem menos que 1 cm. 







  • É comum encontrarmos caracóis terrestres nos jardins, hortas e pomares, pois eles alimentam-se de diversos tipos de plantas. As poucas espécies carnívoras alimentam-se de minhocas, ou de outros caracóis e lesmas. 







  • Os caracóis terrestres são encontrados em ambientes de solo húmido mas não encharcado, e são difíceis de ser observados durante o dia pois 99% das suas actividades ocorrem durante a noite.  Duas a três horas após o anoitecer os caracóis já podem ser observados em actividade  







  • Em escavações arqueológicas foram encontradas conchas de caracóis assadas, indicando que o homem já utilizava estes animais como alimento desde a pré-história. 







  • O melhor exemplo de caracol comestível é o Helix aspersa ou Helix pomatia, ainda pouco divulgado nos restaurantes brasileiros e no continebte americano, mas há muitas décadas consumido na Europa, especialmente na França mas tendo-se estendido à maioria dos restante países europeus. 









    O caramujo-gigante-africano (Achatina fulica)

  • O caramujo gigante africano (Achatina fulica), cujos adultos chegam a medir entre 15 e 20 cm de altura, 10 a 12 cm de comprimento e pesar cerca de 200 g, é apreciado em muitos países. No entanto, essa espécie, que foi introduzida em diversos países pelo próprio homem, tornou-se uma praga que destrói totalmente diversas culturas, jardins e hortas. O caramujo-gigante-africano, em vida livre, transmite o verme Angistrongylus cantonensis, que causa a angistrongilíase meningoencefálica, doença que afecta o sistema nervoso central.




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